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Míldio da Batata

Phytophthora infestans

O míldio é a principal doença da batateira podendo, em condições favoráveis destruir, por completo, toda a cultura.

A rápida disseminação e o elevado potencial destrutivo caracterizam o míldio como a mais importante e agressiva doença desta cultura.

É causada pelo fungo Phytophthora infestans e pode ocorrer em qualquer fase do desenvolvimento vegetativo da cultura, podendo afectar severamente, folhas, caules e tubérculos.

Caso não seja combatida, a doença propaga-se rapidamente a todas as folhas, pecíolos, caules e tubérculos, acabando a planta por morrer em poucos dias.

Sintomas:

O míldio pode manifestar-se em vários órgãos da planta, tais como:

Folhas – Aparecimento de pequenas manchas (áreas húmidas) inicialmente esverdeadas passando depois a acastanhadas, com um aspecto oleoso.

Foto 2 – página superior da folha com sintoma de míldio, (Fonte: Seed)

Em condições favoráveis estas manchas progridem rapidamente, dando origem a grandes áreas mortas (necrosadas), envolvidas por um halo verde-claro ou amarelado.

Na página inferior da folha e em redor da mancha, quando a humidade é elevada, forma-se um enfeltrado branco acinzentado/aveludado, constituído pelos orgãos de frutificação do fungo (conidióforos).

Foto 3 – página inferior da folha, com sintoma de míldio (Fonte: Seed)

Caules – Aparecimento de manchas castanho-escuro a negro, brilhantes, as quais podem, nalguns ataques mais graves, rodear completamente o caule. Nesta situação as plantas podem murchar repentinamente.

Superfície dos Tubérculos – Aparecimento de manchas mais ou menos confluentes, de contornos arredondados e esbatidas, de cor acinzentada, violácea ou acastanhada.

Foto 4 – tubérculos com míldio
(Fonte: Seed)
Foto 5 – tubérculos em desintegração (Fonte: Seed)

Interior dos tubérculos (internamente) – Aparecimento de zonas marmoreadas, de cor acastanhada que progridem de maneira difusa da superfície para o interior.

Os tecidos afectados, desenvolvem como que uma podridão seca, de textura granulosa, que pode ser invadida por fungos secundários e bactérias, o que origina completa desintegração do tubérculo.

Condições climáticas favoráveis ao Míldio:

Dia – Temperatura diurna de 10 a 25ºC, acompanhada de chuva, nevoeiro (H.R. muito elevada > 90%) ou orvalhos prolongados e película de agua sobre a folha.

Noite – Temperatura nocturna de 13ºC acompanhada de chuva ou orvalhos intensos.

Com H.R.> 75% durante 48 horas e temperaturas compreendidas entre 10 – 24ºC podem ocorrer ataques.

Danos e Prejuízos:

O míldio pode, de acordo com a gravidade do ataque, levar à destruição parcial, ou mesmo total, da produção final.

As plantas mais afectadas podem acabar por morrer não produzindo normalmente, enquanto que os tubérculos afectados, perdem o seu valor comercial, o que inviabiliza a sua venda.

No armazenamento, os tubérculos infectados constituem uma fonte de propagação da doença, levando ao rápido apodrecimento de todos os tubérculos contíguos.

Estratégia de Proteção:

Proceder a tratamentos fitossanitários, preventivos, sempre que se verifiquem condições de H.R. elevada (ex. nevoeiro, chuva) e as temperaturas apresentem os seguintes valores:

  • Nocturnas – 13ºC;
  • Diurnas – 10 a 25ºC.

Nota: O fungo é mais facilmente destruído por condições de secura persistente e temperaturas superiores a 30ºC.

Ciclo Biológico do Míldio:

Imagem 1: Ciclo do Míldio (Fonte: Seed)

O fungo é caracterizado pela presença de esporângios, que emergem através dos estomas da página inferior das folhas, estando o seu desenvolvimento estreitamente dependente das condições de temperatura e humidade. Este manifesta-se a temperaturas entre os 10 e os 25ºC, com humidade relativa superior a 90%, estando contudo a temperatura óptima situada entre os 15 e 22ºC.

Os esporângios podem germinar directamente, por meio da produção de tubos germinativos, iniciando de imediato a infecção, ou sob condições de temperaturas mais baixas e na presença de água, podendo germinar indirectamente, iniciando a produção de zoósporos. Estes movem-se individualmente através da água à superfície da planta, iniciando novas infecções.

Os esporângios podem ser arrastados pela água para o solo e infectar os tubérculos.

A doença hiberna sob a forma de micélio associado aos restos de cultura da batata ou de outras solanáceas e na vegetação espontânea, assim como no solo sob a forma de oósporos. Estes usualmente germinam dando origem aos esporângios.

O vento é a principal via de disseminação do inóculo, podendo levá-los até longas distâncias do foco inicial.

As temperaturas acima dos 30ºC são desfavoráveis à doença, no entanto o patogéneo mantém-se vivo e, quando as condições voltam a ser favoráveis, este reinicia o seu ciclo de infeção.

Meios de Luta:

A disseminação da doença é muito rápida e desta forma dificulta a eficácia do seu combate, quando esta já se encontra instalada na cultura. Desta forma, o melhor combate é o recurso a meios preventivos de modo a evitar a sua entrada e a limitar o mais possível o seu desenvolvimento.

Devem-se utilizar um conjunto de medidas culturais, tratamentos biológicos e tratamentos químicos, que se completam.

Medidas preventivas/Culturais:

  • Cultivar variedades menos susceptíveis à doença;
  • Usar batata de semente sã e certificada;
  • Evitar um desenvolvimento excessivo da folhagem (diminuir a adubação azotada);
  • Proceder à amontoa, o que diminui o risco de infecção dos tubérculos;
  • Eliminar os resto de cultura do terreno, dado que estes resíduos podem, além do míldio, disseminar outras doenças da batateira.

Luta Química:

O caracter epidémico da doença obriga a prevenir a sua instalação na cultura protegendo-a oportuna e adequadamente com fungicidas homologados para o seu combate.

Na escolha dos fungicidas temos que considerar as suas características, atendendo ao estado fenológico da cultura e à epidemiologia do patogéneo.

Deve-se usar combinações de fungicidas com diferente modo de acção que ajuda não só a uma maior eficácia do produto, bem como a prevenir o aparecimento de resistências. Muitas das especificidades comerciais são misturas de fungicidas com diferentes modos de acção: contacto, penetrantes ou sistémicos.

A estratégia a usar com a luta química deve ser preventiva, atendendo à epidemiologia da doença, à dificuldade de definir o período de acção curativa dos produtos, bem como aos riscos de resistência dos fungicidas com acção curativa, que pode levar à perda de eficácia destes.

Os produtos homologados podem ser vistos no site da DGAV (Divulgação e SIFITO)


Abreviaturas: H.R (Humidade Relativa); DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária)

Fontes Bibliográficas: Seed, Syngenta Portugal. Artigos das Direções Regionais de Agricultura.